quarta-feira, 4 de março de 2015

[Opinião Literária] Urfaust - J.W. Goethe

Opinião Literária:
Mais um livro onde a sinopse existe mas é tão rara de se encontrar...! Especialmente em inglês ou em português. Aproveito já para vos contar os rodeios desta leitura - foi feita de forma académica, acompanhada pelo regente da cadeira, e foi toda em alemão; portanto, o que vos poderei dizer é que não é,de todo, uma leitura fácil, mesmo sendo em inglês (dei uma espreitadela na versão inglesa e assustei-me). Apesar destes pormenores, é um dos maiores clássicos europeus e, mais concretamente, alemães, e é uma pena não o ler, até porque trouxe temas que agora são bastante explorados.
A história fala-nos de um professor académico que se sente limitado pela sua condição humana e que já viu e experimentou tudo - decide então comunicar com o outro mundo e tentar subir de posição; conseguindo fazer um contrato com o diabo, este promete-lhe ficar seu servo se não lhe conseguir mostrar algum prazer na vida que Faust ainda não tenha vivido. O prazer vencedor desta aposta foi o amor (algo cliché mas morbidamente bonito neste caso).

Apesar da leitura não ser fácil, o livro não é grande e a maioria das versões apresenta logo a continuação (este livro foi o primeiro estudo que Goethe fez da história), o que é excelente considerando que poderemos ler mais cenas para nos ajudarem a compreender melhor o enredo sem ter de comprar individualmente cada livro. As personagens são, na minha opinião, a melhor parte desta história - o desenvolvimento de Faust é o mais cru, mais abrupto e, apesar de bem feito, mais inconsistente. Sem saber o que realmente deseja na vida, assume os seus desejos animalescos e segue as suas vontades sem pensar em qualquer tipo de consequências; achei-o imaturo, irracional e egoísta, o que acabou por nao me fazer gostar do personagem, apenas refletir sobre o seu comportamento. Quanto a Gretchen, considero-a a personagem principal - tem um crescimento ao longo do texto tremendo, algo que me deixou triste e com uma certa pena da personagem (faz sentido ter pena de personagens? :-P). Penso que Gretchen tem um papel importantíssimo pois tanto representa a importância que a mulher começa a ter na sociedade ao poder escolher o que quer fazer, mesmo essas escolhas podendo arruiná-la; a personagem é também uma metáfora para o que o nosso crescimento é - a perda de inocência, a morte de parte de nós, a noção dos nossos atos,etc.

No geral, é um livro com muita matéria para se analisar e nos fazer enriquecer, penso que notou pelo tamanho desta review! Vale a pena perder algum tempo neste livro e perceber como é que as mentalidades foram mudando até chegarmos ao século XXI.



Autor: J.W.Goethe
Título: Urfaust
Nº de páginas: 71
Data da Publicação: 1932  (mas terminado em 1887)
Informações no Goodreads: clica aqui


segunda-feira, 2 de março de 2015

Poema da Quinzena

 Vozes que se calam
Amo as pedras, os astros e o luar
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.

Amo a hera que entende a voz do muro
E dos sapos o brando tilintar
De cristais que se afogam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.

Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!

Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!...
-Florbela Espanca

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Os contos do mês - Fevereiro

Olá leitores! Hoje trago-vos mais contos para poderem ler e deliciar-se em poucas páginas. Desta vez, o pequeno livro corresponde a contos focados em Memórias. Confesso que não sabia muito bem o que esperar em relação à seleção, visto que Memórias é um tema tão abrangente. No final, achei que os 3 contos foram fáceis de se compreender, agradáveis e inspiradores - gostei mais destes do que os do mês passado, haja progresso! Vamos começar?


Putois - Anatole France



Este conto fala-nos sobre uma mentira que uma família inventou e que, aos poucos, vai avançando em rumo à cidade e espalhando pela população. A questão deste livro é: será que é mesmo uma mentira ou a realidade é feita de sonhos nossos? O persongem Putois é uma autência aberração, com todas as caraterizações possíveis feitas pela população,  o que vai tornando o conto divertido e também curioso; no geral, é um conto muito bem concebido. Em 13 páginas, podemos ler algo inspirador na forma da descrição e avanço da história (a escrita de France fascinou-me, tem um certo encanto da época), divertido e misterioso - mas afinal, quem foi Putois?

Aquele Sol Poente - William Faulkner



Este conto aborreceu-me um pouco e vou desde já explicar o motivo - o fim. Apesar da história da família, de como um escravo se sente nas mãos de um branco e como este tem noção da sua condição de oprimido está relativamente bom; um tanto confuso mas bom. As personagens tiveram uma caraterização crua e nua mas sente-se a falta de muitos detalhes e o final foi aberto; no geral, faltou informação e isso impede de gostar deste plenamente.

A Cigarra e a Formiga - W.Somerset Maugham



Conhecem a história 'A Cigarra e a Formiga'? Maugham utilizou essa exata história mas aplicada num caso vivencial, com personagens fictícias mas claramente mais verdadeiras no quen na fábula. Não achei nada de extraordinário, não me divertiu muito nem adorei a escrita do autor - 3 estrelas pela tentativa de recriar a fábula muito conhecida por todos nós, gosto sempre de recriações!

Aqui estão os contos de Fevereiro! Já leram algo de algum destes autores? Gostam de contos?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

[Opinião Literária] Operation Sunshine - Jenny Colgan

Título: Operation Sunshine

Autora: Jenny Colgan
Número de páginas: 320

Mais opiniões literárias:
The Loveliest Chocolate Shop in Paris, Jenny Colgan

Sinopse:
"Evie needs a good holiday. Not just because she’s been working all hours in her job, but also because every holiday she has ever been on in her life has involved sunburn, arguments and projectile vomiting – sometimes all three at once. Why can’t she have a normal holiday, like other people seem to have – some sun, sand, sea and (hopefully) sex?
So when her employers invite her to attend a conference with them in the south of France, she can’t believe her luck. It’s certainly going to be the holiday of a lifetime – but not quite in the way Evie imagines!" (mais em Goodreads)


Opinião Literária:
Começo por dizer que apenas li 2 livros desta autora e que este foi o que menos gostei. A sinopse não é brilhante, pelo contrário, é tão banal que não me pareceu que fosse divertir o leitor. A verdade é que acabei por acertar. Evie tem alguns traços na sua personalidade que incitam a comédia, contudo, não é tão engraçada com as personagens de The Loveliest Chocolate Shop in Paris - talvez demasiado impulsiva em termos físicos e não tão inteligente?
Não é um livro maravilhoso em criou qualquer tipo de impacto em mim, contudo, foi um livro divertido de se ler durante o Verão; as personagens que rodeim Evie são caricatas, há uma série de situações que nos convidam a rir... Colgan tentou tornar as coisas um pouco mais apimentadas que acabaram por cair no ridículo. Não foi um mau livro; apenas não foi o melhor chick-lit de sempre.



domingo, 22 de fevereiro de 2015

Deambulando... Livros Fraude

Olá a todos! Li um post sobre livros fraude no blog Mini Estante Literária e fiquei indignida com a situação - autores de livros biográficos que,após a publicação destes livros e do sucesso que surge, admitirem que inventaram todo o enredo. A questão que levanto é a seguinte - até que ponto os direitos dos leitores são desrespeitados ao comprarmos livros que são mentiras e nada acontecer aos autores? Não vos parece estranho?
Já não é nenhuma surpresa o facto do mercado literário estar arrasado e sobreviver maioritariamente à base de livros apelativos para as massas e isso inclui má escrita, histórias sem grande enredo e seguir as tendências literárias, um fenómeno deste século. Antigamente, os movimentos literários rodavam à volta do que era aceitável pela comunidade e a forma de escrita defendida pelas escolas de arte - atualmente, a escrita é feita livremente, com temas que se repetem. Romances históricos, distopias, romances de vampiros, romances sexuais... Quantos livros não conhecem que andam à volta destes temas?
A última aquisição destas 'repetições' são as biografias e livros mais 'reais' - são livros mais fáceis de se ler, sem grande diversão e,aparentemente, mais úteis que os 'livros de literatura'. Penso que as pessoas estão cada vez mais preguiçosas mas também pressionadas pela rotina, o que as faz desejar ler e aprender o mais rapidamente possível - sem grandes enredos ou interpretações. Não é algo que concorde mas, tal como em todas as divisões literárias, há sempre alguns livros com aparente qualidade no meio desta salada de livros práticos. O problema situa-se em como determinadas pessoas julgam ter uma lição importantíssima e querem passá-la para a população; não duvido que existam indivíduos por aí que passaram por uma fase complicada e que a superaram mas até que ponto foi algo assim tão valioso para se escrever um livro? A maioria dessas pessoas não tem capacidade para escrever uma obra, pelo que a própria editora a cria através das informações que a pessoa dá.
Penso que pior que esses casos são ainda os ditos 'autores' que publicam um livro de ficção sem sequer o ter escrito - o último caso que me chocou mais foi o de Zoella, uma youtuber muito famosa que publicou um livro onde ela não o escreveu sozinha mas sim com a ajuda de várias pessoas, sendo que apenas o nome dela é que surgiu na capa. Em dias, ela superou autores que trabalharam arduamente ao longe de meses e anos para criar uma obra decente de se publicar, que vivem apenas do papel e da escrita. E agora pergunto: com que direito o dinheiro pode falar mais alto que a arte? E como é que o público consegue ser tão cego em relação a estes problemas?


sábado, 21 de fevereiro de 2015

[Opinião Literária] Nómada - Stephanie Meyer

Título: Nómada
Autor: Stephanie Meyer
Número de páginas: 620

Sinopse:
"Melanie Stryder refuses to fade away. The earth has been invaded by a species that take over the minds of human hosts while leaving their bodies intact. Wanderer, the invading "soul" who has been given Melanie's body, didn't expect to find its former tenant refusing to relinquish possession of her mind.
As Melanie fills Wanderer's thoughts with visions of Jared, a human who still lives in hiding, Wanderer begins to yearn for a man she's never met. Reluctant allies, Wanderer and Melanie set off to search for the man they both love." (mais em Goodreads)

“It's not the face, but the expressions on it. 
It's not the voice, but what you say. It's not how you look in that body, but the thing you do with it. You are beautiful.” 

Opinião Literária:
Este livro tinha todo um cenário para me afastar dele e não o desejar ler - aliens dentro de humanos, Terra dominada, almas que caminham? Não, obrigada. Contudo, posso dizer que este livro mereceu as 4 estrelas que lhe dei e foi surpreendemente bom. Apesar de demorar a entrar na história, não foi em parte alguma aborrecido, pelo contrário; devorei o livro rapidamente, a escrita é deliciosa e, apesar do livro ser enorme, o tamanho da fonte é relativamente grande, o que faz com que a leitura flua mais naturalmente. Sem contar com o facto de que os capítulos são pequenos! Estes pequenos pormenores ajudam a que o leitor leia sem se aperceber da quantidade de folhas e sem ter de prestar muita atenção ao fio condutor.
Apesar de cair em alguns clichés (aviões todos xpto, aquela ideia de rebelião), a ideia geral até é bastante inovadora: não são aliens 'físicos' mas sim uns seres um pouco parecidos com bactérias que entram no corpo das personagens, a ideia  de que o amor não tem qualquer tipo de fronteiras (mesmo estas sendo entre galáxias!) e que nem tudo o que é exterior ao nosso campo de conhecimento é necessariamente mau.
Sem querer alongar muito mais esta opinião, é um livro mediano - não é brilhante nem traz nada de extraordinário mas também não é medíocre pois tem vários detalhes que fazem deste um livro com certa qualidade: a descrição dos espaços, alguns pormenores interessantes, a própria estrutura... Penso que o seu maior erro estará então na descrição de algumas personagens que deixou um pouco a desejar.

“Perhaps there could be no joy on this planet without an equal weight of pain to balance it out on some unknown scale.” 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

[Tag] Dias da Semana

Olá a todos! Vi esta tag no blog da Jen (http://jm-just-me.blogspot.pt/) (o vídeo original é este https://www.youtube.com/watch?v=KVQmwI1Rzfo) e achei tão engraçado que decidi fazê-lo também! Vamos a isto?

Domingo-Um livro que você não quer que termine / que não quis que terminasse.

Para o Domingo, escolho A Praia do Destino de Anita Shreve - repeti a leitura deste livro e foi devorado em ambas as leituras!

Segunda-Um livro que você tem preguiça de começar.

Já comecei a leitura mas ainda não tive coragem para o terminar... Estou a falar de Os Miseráveis de Victor Hugo. Comecei-o há exatamente 2 anos e ainda não cheguei nem a metade! 2015 será o ano em que acabarei o livro, de certeza!


Terça-Um livro que você empurrou com a barriga / que leu por obrigação.

Definitivamente li por obrigação Fúria Divina de José Rodrigues do Santos. Odeio deixar livros pelo meio e então fiz esse sacrifício final.

Quarta-Um livro que você deixou pela metade / está lendo no momento.

Eu tenho um trauma enorme em relação ao livro O Deus das Moscas, de William Golding. Já comecei este livro 2 vezes, uma desta quase até ao fim mas, por razões adversas,nunca acabo!

Quinta-Um livro que você recomenda.

Definitivamente recomendo os livros de Haruki Murakami; apesar de só ter lido um (algo que quero mudar em breve!), a sua escrita é impressionante e deixa-nos sem ar. Vale a pena investir ao autores como Murakami.



Sexta-Um livro que quer que chegue logo (lançamento ou compra).

De momento, estou a evitar desejar livros... Mas se há algo que quero mesmo, então fico-me pelo Livro do Desassossego, de Bernardo Soares.

Sábado-Um livro que você quis começar novamente assim que terminou.

Isto poderá parecer infantil mas terei de dizer Crepúsculo de Stephanie Meyer... Li tantas vezes esse livro.

 

Que acharam desta tag? Eu cá achei-a pequena mas divertida!